Em plena Segunda Guerra Mundial, com Londres sob bombardeio, a BBC convidou um professor de literatura de Oxford para falar de fé no rádio. Entre 1941 e 1944, C. S. Lewis gravou uma série de palestras que depois virou três livretos e, em 1952, um único volume: Cristianismo Puro e Simples. Mais de setenta anos depois, o livro continua sendo uma das portas de entrada mais procuradas para quem quer entender o que os cristãos creem.
O corredor e os quartos
No prefácio, Lewis explica o que pretende com uma imagem que ficou famosa. O cristianismo comum a todas as igrejas seria como o corredor de uma grande casa, de onde se abrem portas para vários quartos, que são as diferentes tradições. O livro quer conduzir o leitor até esse corredor. Mas Lewis avisa que ninguém foi feito para morar no corredor: cedo ou tarde, é preciso entrar num dos quartos e viver a fé numa comunidade concreta.
Por isso a obra é lida com proveito por católicos, anglicanos, batistas, presbiterianos e pentecostais. Lewis deixa de lado as disputas entre as igrejas e se concentra no que elas confessam juntas.
Da consciência a Cristo
O ponto de partida não é a Bíblia nem a igreja, e sim algo que todo leitor conhece: a sensação de que existe certo e errado. Lewis observa que as pessoas discutem sobre justiça como quem apela a uma regra que o outro também deveria reconhecer. Dessa lei moral ele passa à pergunta sobre quem a escreveu, e daí ao problema do pecado e à necessidade de perdão.
É nessa altura que aparece um dos argumentos mais citados do século XX. Diante das afirmações de Jesus sobre si mesmo, Lewis diz que não cabe tratá-lo apenas como um bom mestre de moral. Ou ele era quem dizia ser, ou não merecia a confiança de ninguém. O leitor fica sem a saída confortável do meio-termo.
Uma fé para ser vivida
As partes seguintes tratam do comportamento cristão, com capítulos sobre perdão, orgulho, castidade, esperança e caridade, e terminam numa introdução à doutrina da Trindade. Lewis insiste que a meta do cristianismo vai além de tornar as pessoas um pouco mais gentis. Deus quer transformá-las por inteiro, a ponto de partilharem da vida do próprio Cristo.
Para quem é este livro
Para quem está começando na fé, para quem tem dúvidas sinceras e para o cristão que precisa explicar a própria esperança a um amigo que não crê (1 Pe 3.15). O texto nasceu para o rádio, e isso se nota: frases curtas, exemplos do cotidiano e nenhum jargão técnico. Funciona muito bem em grupos de estudo, classes de apologética e discipulado.
Onde encontrar
Cristianismo Puro e Simples, na edição da Thomas Nelson Brasil, está disponível na Sólida Fé, com envio para todo o Brasil e retirada grátis em Mogi das Cruzes. Quem gostar da leitura pode seguir com Cartas de um Diabo a seu Aprendiz, em que Lewis trata da tentação pelo avesso.
